Imagem capa - Como identificar se alguém da sua família está com depressão por Giscellayne Rodrigues Perez
Psicóloga Raiana BonattiColunistas

Como identificar se alguém da sua família está com depressão

Por: Raiana Bonatti de Sousa Botão


 Você sabia que a depressão é considerada o transtorno psiquiátrico mais incapacitante? E que está associada a mais de metade dos casos de suicídio cometidos em todo o mundo?

 Mesmo com números alarmantes, essa é uma doença (Sim, o cérebro é um órgão e também adoece) cercada de mitos e preconceitos, que vem de dois motivos principais:

  •  Os transtornos psiquiátricos têm sido estudados e descritos, relativamente, há pouco tempo (considerando a história da humanidade) – isso porque o estudo do cérebro demanda equipamentos específicos que vem sendo produzido com o avanço da tecnologia científica.
  •  Temos, enquanto seres humanos, uma tendência a rejeitar e criar rótulos para aquilo que é pouco conhecido.

 Quando alguém que amamos e nos importamos quebra o braço, tem uma pneumonia ou uma infecção intestinal, sabemos o que fazer: levar essa pessoa ao médico, comprar os medicamentos necessários, cuidar e ajudá-la a melhorar para que possa retomar suas atividades. Mas, quando essa mesma pessoa é acometida por uma doença no cérebro, caracterizando o que chamamos de transtornos mentais, tendemos a diminuir a importância disso e achar que o que falta é ‘força de vontade’, ‘fé’ ou qualquer outro sentimento que tendemos a usar como causa. Entendo que essa seja a sua maneira de ajudar essa pessoa a não sofrer e que, provavelmente, seja bem desconfortável pra você, também, ver alguém que ama sofrendo e sem saber muito bem como ajudar. Culpabilizar a pessoa não a ajuda. Colocar a ‘cura’ em certos sentimentos, também não. Agora que você já sabe que, talvez, o que esteja fazendo não funciona, que tal aprendermos um jeito diferente?

 Antes de saber como proceder, é importante aprender a identificar. Os sintomas abaixo devem perdurar por, pelo menos, um mês. Não é a presença deles que deve preocupar – ocasionalmente todos têm um dia ou uma semana ruim: choram, se isolam, se sentem tristes e preferem ficar em casa. Tristeza é um sentimento e, portanto, é natural. O problema é a freqüência e a intensidade desses sintomas e, principalmente, o quanto eles tem afastado essa pessoa de seus valores e de uma vida que valha a pena ser vivida. Aqui vão alguns sinais que podem indicar que alguém que você ama pode estar com depressão:


  • * Humor negativo – esse sintoma é caracterizado por sentimentos de tristeza e mal-estar geral. Possíveis verbalizações do paciente: “me sinto triste o tempo todo”, “não vejo sentido na minha vida”, “choro toda hora”, “sinto um vazio no peito”, “sinto que não só amado (a) por ninguém”;


  • * Redução de energia, disposição e de atividades – a pessoa diz ter pouca disposição para atividades do dia-a-dia e, por vezes, é confundida como ‘preguiça’ ou ‘comodismo’. A pessoa pode dizer, com freqüência: “não consigo me levantar da cama”, “sinto que meu corpo está pesado”, “Não consigo trabalhar / ir na escola”, “não tenho vontade de fazer nada”;


  • * Fadiga intensa – essa pessoa pode se queixar de um cansaço grande após a realização de pequenas atividades, como lavar a louça ou ir ao mercado. Isso tende a ser interpretado por pessoas próximas como “preguiça” ou “oportunismo”;


  • * Redução na capacidade de concentração;

  • * Desregulação do sono e apetite (seja para mais ou para menos);


  • * Diminuição dos sentimentos de autoestima e autoconfiança;


  • *Perda de libido / desejo sexual;

  • *Perda de memória – pessoas com depressão podem achar difícil se lembrar de eventos específicos da sua história de vida.


 Para o diagnóstico devem ser considerados: A quantidade e duração dos sintomas, presença de pensamentos autodepreciativos, condições médicas gerais ou uso de substâncias. Na dúvida, procure alguém capacitado para o diagnóstico e protocolos de intervenção: Um psicólogo e Psiquiatra. É difícil quebrar os nossos próprios preconceitos e estigmas que, às vezes, carregamos por muitos anos e parecem fazer parte do modo como enxergamos o mundo. Mas, geralmente, eles nos prendem e podem nos deixar distante de um valor importante: ajudar alguém que amamos. Portanto, se informe e se abra a novos conhecimentos. Tudo vale a pena se te deixa mais próximo dos seus valores, melhora a qualidade da sua relação com as pessoas que ama e pode te dar a sensação de uma vida bem vivida.


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